As questões a seguir tratam sobre epistemologia, que é o estudo do conhecimento. Ou seja, não estamos interessados simplesmente na verdade, mas sim na verdade que podemos justificar como verdade. Isso porque a verdade sem uma base sólida equivale a uma mera opinião, e nossas opiniões são irrelevantes no âmbito público. Assim, precisamos acreditar na verdade e saber como defendê-la, até mesmo porque, agora mesmo, estamos em um debate de ideias — você discordando de mim e tentando provar o seu ponto, e vice-versa.
Para justificar a verdade, precisamos responder algumas perguntas básicas. Por exemplo, o que é a verdade? Ela é necessária e objetiva ou arbitrária e subjetiva? Como a verdade acontece na mente humana? Como distinguir a verdade da mentira ou de meros achismos? Como diferenciar um sonho da realidade? Se eu acho que há um elefante azul na minha frente e você e todo o mundo discordam, isso significa que todos vocês estão certos e eu não? Quem define quais evidências são favoráveis à verdade? O que é uma prova cabal?
Em primeiro lugar, "verdade" é tudo aquilo que corresponde ou que está de acordo com a realidade. Agora, concordamos que a verdade é necessária e objetiva/absoluta? (Os termos “objetiva” e “absoluta” são intercambiáveis, formas diferentes de dizer a mesma coisa.). "Necessária", digo, concordamos que a verdade é inegável, sendo contraditório dizer que é verdade que a verdade não existe? Já o termo "objetiva" evoca a universalidade da verdade, sendo a mesma para todos — concordamos que é contraditório afirmar que é verdade absoluta que a verdade é subjetiva? Assim, definimos que a verdade é necessária e objetiva.
Em segundo lugar, você já se equivocou alguma vez? Já achou que havia visto algo e, na verdade, era coisa da sua cabeça? Ou, talvez, poderia jurar que alguém havia chamado o seu nome, mas, quando se deu conta, estava sozinho na sala? Sim? Então, seria justo estabelecer que você não é 100% confiável, correto? Ou seja, podemos assumir como ponto de partida que é fato público e notório que você não pode servir de padrão último para definir a verdade? Sim, eu sei que isso também vale para mim e para qualquer pessoa, sendo a coerência o próximo passo — eu sou coerente e provo que sou, mas e você?
Por exemplo, como você garante que tudo o que aconteceu na sua vida até hoje não foi uma grande Matrix, pura ilusão? Porque nem sempre você está correto quando acha que está correto. O que interpretar dos sonhos? Como você sabe que não está agora mesmo em um grande sonho? Aliás, o mundo físico realmente existe, incluindo você? Assim, pergunto de novo: qual sua base para justificar a verdade? Lembre-se: é inválido que essa base seja você, pois retornaríamos para o ponto anterior em um looping viciosamente circular — você não é confiável e não pode dizer o que é a verdade apenas porque acha que é verdade. Alguém diferente de você (i.e., de um homem) precisa definir isso para nós. E então? Quem julgará entre a gente? Como a verdade é absoluta, aceito somente uma prova irrefutável para ela.
Em terceiro e último lugar, o que é verdadeiro se autojustifica, isto é, preenche todos os pré-requisitos ou pré-condições lógicas exigidas pela realidade para que seja considerado verdadeiro. Basicamente, são três esses pré-requisitos: abrangência, validade e autoridade (ver artigo, A Autoridade da Verdade). Cada um desses pré-requisitos deve ser justificado por quem arroga para si a capacidade de definir a verdade — você acha que seria capaz? Para a abrangência, você deve responder as questões de metafísica, epistemologia e ética. Para a validade, você deve justificar os particulares e os universais utilizados. E para a autoridade, você deve justificar todas as pré-condições de autoridade. Temos visto sobre isso nos artigos até aqui e veremos ainda mais adiante, então esteja certo que não será algo simples!
Por outro lado, a justificação cristã para a verdade é que verdade é o que Deus diz ser verdade. Você não concorda com isso? Ok, mas com base em quê? Um dos atributos do Deus criador é que ele é infalível, sendo a Bíblia a sua revelação igualmente infalível — esse é o meu ponto de partida. Você discorda de mim? Sinta-se à vontade, só não utilize a si mesmo como base para isso, pois também sou humano e, como tal, não aceito a sua autoridade. E esteja preparado para as consequências! A grande questão, é: Deus pode utilizar a baixa luminosidade, a distância do objeto, seu pecado da mentira ou simplesmente sua burrice (dentre outras coisas) para causar um pensamento falso em você. (Os pensamentos falsos continuam sendo falsos, mas é Deus quem os causa metafisicamente na mente humana, não apenas os pensamentos verdadeiros. Ver artigo, A Natureza do Pensamento). Portanto, como saber que você não está tendo um pensamento falso quando acha que é verdadeiro?
É simples: se os pensamentos tiverem base bíblica, são verdadeiros e devem ser cridos. Se não tiverem base bíblica, ou são falsos ou são meras opiniões, devendo ser descartados de imediato em ambos os casos quanto à confissão pública. Quero dizer, a opinião até pode ser utilizada para fins práticos, desde que jamais confundida com a verdade. Por exemplo, jamais posso dar certeza do benefício de algum remédio, embora possa crer que Deus pode utilizá-lo por sua providência para retirar eventual febre do meu corpo. Quanto aos pensamentos falsos, de fato devemos descartá-los em todos os sentidos, não apenas quanto à confissão pública — devemos ter distância de tudo o que é falso.
Em resumo, a base para a verdade está em Deus, que se revelou na Bíblia. Discorda disso? Ok, mas por qual base? Pelos seus achismos? Continue tentando! Voltar para continuar...