A Autoridade da Verdade

Este é o último artigo do desafio, O Jogo dos Sete Erros, no qual você está sendo desafiado a provar que a Bíblia (e o cristianismo) não é a única verdade pública disponível aos homens. Cada um dos sete desafios contém questões que estão intrinsecamente interligadas entre si, sendo natural que o mesmo ponto esteja presente em vários artigos. Todos os pontos por trás desses artigos são absolutamente necessários à visão de mundo verdadeira. Ou seja, se faltar qualquer um desses ensinos, por mais insignificante que possa parecer, a cosmovisão se tornará irrelevante e ruirá como um todo, devendo ser descartada imediatamente.

Para resumir os artigos supracitados, a cosmovisão considerada verdadeira deve possuir, pelo menos, três caraterísticas simultâneas em seu fundamento, que são as pré-condições lógicas exigidas pela própria realidade para a verdade. O cristianismo, por meio da Bíblia, possui todas elas, sendo logicamente inegável e devendo ser afirmado até mesmo na tentativa de ser negado — ou seja, a Bíblia é absolutamente necessária. Eis os três elementos necessários:

1. Abrangência: quantidade de informações (dados suficientes às questões últimas);

   a. Metafísica (vide artigos, A Natureza do Pensamento e As Pré-Condições de Inteligibilidade);

   b. Epistemologia (vide artigo, A Garantia da Verdade); e

   c. Ética (vide artigo, A Verdade nas Definições Éticas).

2. Validade: respeito às leis da lógica (universais e particulares); e

   a. Raciocínio dedutivo (vide artigo, A Validade da Verdade); e

   b. Ausência de contradição (vide artigo, A Coerência da Verdade).

3. Autoridade: relevância das informações (pré-condições de autoridade).

   a. Poder, conhecimento e justiça (o artigo em questão, A Autoridade da Verdade).

Dito isso, assim como não há verdade sem validade, também não há verdade sem autoridade, que é necessária à verdade. Isso porque a verdade pressupõe uma autoridade que seja relevante o suficiente para definir a realidade, justificando se algo de fato é real ou não. Então, dado que verdade é a correspondência com a realidade, qualquer negativa da realidade não possui autoridade e não pode ser verdade. Ou seja, a verdade é autoritária na definição da realidade, impondo-se necessariamente contra a mentira (i.e., o que descola da realidade).

Nem todo mundo concorda sobre o que é a realidade, chamando de verdade aquilo que é mentira e vice-versa — é aí que entra a autoridade dos nossos pressupostos. Se eles forem falsos ou desnecessários, carecerão de autoridade ou possuirão uma autoridade arbitrária, sendo irrelevantes e devendo ser descartados de imediato. Por outro lado, se nossos pressupostos forem verdadeiros, terão a autoridade necessária para se impor de forma relevante na definição da realidade. Agora, o próximo passo é demonstrar publicamente que nossa cosmovisão possui as pré-condições de autoridade, conforme três exemplos a seguir.

A primeira pré-condição de autoridade a ser analisada é o poder, algo necessário para justificar vários assuntos de uma visão de mundo, como a metafísica, que trata sobre como as coisas acontecem na realidade. Qual a fonte de poder que sua visão de mundo utiliza para justificar a ocorrência de um simples pensamento na sua mente (vide artigo, A Natureza do Pensamento)? Ou, talvez, de onde provém o poder que justifica a presença das pré-condições de inteligibilidade no seu pensamento (vide artigo, As Pré-condições de Inteligibilidade)? Podemos ainda citar o assunto ética e questionar se você garante que o doador das leis morais utilizadas em sua cosmovisão possui poder suficiente para garantir que o bem sempre será recompensado e o mal sempre será punido (vide artigo, A Verdade nas Definições Éticas). Garante? Não, não são perguntas retóricas. Você precisa lidar com elas!

A segunda pré-condição de autoridade a ser analisada é o conhecimento, que é a informação verdadeira e justificada. O estudo do conhecimento é a epistemologia, sobre o qual pergunto: como você garante que o que acha verdadeiro de fato é verdadeiro (ver artigo, A Garantia da Verdade)? Quero dizer, como garante que não está tendo uma ilusão, sonhando ou apenas equivocado? E sobre o tópico da ética, como você garante que os maus e os bons sempre serão descobertos, mesmo quando ninguém estiver vendo? Ainda podemos perguntar sobre a validade dos universais que você utiliza em sua cosmovisão (ver artigo, A Validade da Verdade). Sobre qual base você justifica a mortalidade humana? Ou que as coisas mais pesadas caem? Ou que você continuará sendo um ser humano após acordar e não um elefante? São inúmeros os universais que você assume como verdadeiros, mas que carece de uma justificativa válida para eles. E o que dizer das suas contradições essenciais (vide artigo, A Coerência da Verdade)?

A terceira e última pré-condição de autoridade que analisaremos é a justiça. Aplicando essa pré-condição ao tópico da ética, a pergunta a ser respondida é sobre qual base o legislador e julgador arroga para si autoridade nas questões éticas. Você acha que o mero "poder" que alguns homens possuem temporariamente lhes dá o direito de definirem o certo e o errado? Por exemplo, seria aceitável o assassinato ser crime hoje, mas permitido e incentivado amanhã, conforme mudanças no governo local da época? E para definir o aborto, como saber quando começa a vida do ser humano? Aliás, a vida humana possui o mesmo valor que a vida dos animais? O que dizer de pecadores definindo a ética para outros pecadores? E as leis morais, elas devem atingir apenas o exterior ou também o interior (motivações etc.)? Se a sua referência para definições éticas é homens, como você lida com essas questões?

Enquanto você atribui às coisas criadas a justificativa para as pré-condições de autoridade utilizadas na sua visão de mundo (p.ex., poder, conhecimento e justiça), eu atribuo ao Deus onipotente, onisciente e santo do cristianismo. Você ou o meu Deus ganharia num confronto qualitativo e quantitativo de atributos? Quem é mais poderoso, possui mais conhecimento e é mais justo do que o Deus cristão? Na verdade, haveria algum motivo para confiar nas suas respostas? Seus achismos, sensações e tradições não podem ser padrão para a verdade!

Sim, é possível que você fundamente as pré-condições de autoridade dos seus pressupostos em “deuses” de outras religiões. Mas qual é o registro público para essas informações? Você de fato conhece Allan Kardec, Maomé ou Buda? Nem todo mundo que alega autoridade de fato possui autoridade. Para ser relevante, você deve não somente arrogar para si alguma autoridade, mas ser irrefutável em sua cosmovisão e deixar isso claro para todo o mundo. Não se engane! Não há mais de um Deus — há apenas o Deus cristão, que possui todos os atributos ilimitados em gênero e grau, incluindo o poder, o conhecimento e a justiça.

Assim, finalizamos nossa pequena defesa da fé cristã convocando você a uma genuína e inteligente reflexão. Não se engane. As questões aqui colocadas são o mínimo que você deve saber e crer para garantir alguma sabedoria. Sim, a fé em Jesus é suficiente para a salvação, e é possível crer em Cristo sem saber como concatenar todas essas ideias. Contudo, não é esse o ponto, pois tal pessoa continuaria crendo em Jesus conforme descrito pela Bíblia, que é abrangente, válida e autoritária. Na verdade, o ponto é você negar Jesus e a Bíblia como as únicas fontes de salvação e sabedoria e, ao mesmo tempo, se achar salvo e sábio. Tolo!

Considere suas escolhas. Não perca mais tempo. Procure hoje mesmo uma igreja genuinamente evangélica e busque a verdadeira sabedoria e paz para a sua alma.

Deus abençoe! Voltar para relembrar...