A seguir veremos as principais questões relativas à validade daquilo que acreditamos ser verdadeiro. Talvez você nunca tenha parado para pensar se seus pensamentos são válidos ou inválidos, embora viva achando que são verdadeiros. E pior, é bem provável que você esteja do lado errado da história, negando intencionalmente a sua única alternativa de pensar de forma válida. Mas não se engane! Embora possa haver validade sem verdade, não pode haver verdade sem validade. Mais cedo ou mais tarde, você deverá lidar com isso e, a depender da sua decisão hoje, o seu futuro será afetado de forma desesperadora.
A verdade é que devemos justificar a validade dos nossos pensamentos por meio de argumentos sólidos que respeitem as leis da lógica, demonstrando a racionalidade dos particulares e universais presentes na nossa visão de mundo. Particulares são proposições com aplicação limitada (p.ex., “João está aqui”), enquanto os universais possuem aplicação abrangente (p.ex., “Todo homem é mortal”). Assim, não pode haver nenhuma falácia lógica nas premissas e conclusões dos argumentos que utilizamos para justificar aquilo que cremos. Do contrário, o pensamento em questão se tornará irrelevante, devendo ser descartado de imediato quanto à tentativa de justificar a validade da verdade.
Há dois tipos de raciocínio, o indutivo e o dedutivo. Se o raciocínio partir de particulares para universais, temos o raciocínio indutivo. Por exemplo: Premissa 1, “João é homem”; Premissa 2, “João é mortal”; Conclusão, “Todo homem é mortal”. Por outro lado, se fizermos o oposto do processo, começando de universais para particulares, temos a dedução. Por exemplo: Premissa 1, “Todo homem é mortal”; Premissa 2, “João é homem”; Conclusão, “João é mortal”. Note que a indução é formalmente falaciosa — isto é, percebemos sua invalidade apenas analisando a estrutura desnecessária do argumento, pois não necessariamente todos os homens morrerão simplesmente porque alguns homens já morreram, ainda que muitos. Ou seja, o passado não justifica o futuro. Agora, na dedução, a conclusão de fato procede necessariamente das premissas, sendo o único método válido de raciocínio. Assim, devemos descartar a indução e nos apegar exclusivamente à dedução.
Dito isso, pergunto: você utiliza a indução ou a dedução? Se utilizar a indução, está claro para você que seu raciocínio é inválido, certo? Agora, saiba que raciocinar a partir das sensações é o mesmo que utilizar a indução, o que também torna o seu argumento inválido. Isso porque, primeiro, as sensações só acessam particulares, que é o que está sendo visto, ouvido etc., tornando obrigatório o raciocínio a partir de particulares e incorrendo na indução falaciosa. Segundo, as sensações sempre dependem de universais (que não podem ser justificados pela indução), como os conceitos de identidade e estabilidade das coisas, que garantem que “homem” é “homem” tanto aqui quanto na China, hoje e sempre, não se transformando do nada em um “elefante” (vide artigo, As Pré-Condições de Inteligibilidade). E terceiro e último, as sensações nunca são confiáveis para alcançar verdades, podendo ser utilizadas apenas para fins práticos de remédios etc. (vide artigo, A Garantia da Verdade). Assim, a grande pergunta, é: quanto da sua "verdade" se baseia na sensação?
Um outro ponto relevante é sobre o peso da ciência na sua visão de mundo. Você sabia que a ciência é uma disciplina totalmente irracional de especulação da realidade? Isso porque o método científico depende de um tipo de indução chamado afirmação do consequente (logo, também formalmente falacioso). Esse método consiste em afirmar o efeito supondo ter encontrado a causa. Por exemplo, se o cientista aplicou A (dipirona) e sumiu B (febre), ele supõe que A retirou B e que, se B de novo, basta aplicar A. Contudo, não necessariamente, pois pode ter acontecido diversas outras causas C (recuperação natural), D (alimentação) etc. capazes de gerar o mesmo efeito de "retirar" B. Ou seja, o cientista se esquece que correlação não é causação, e que as sensações não podem alcançar nem um nem outro (vide artigo, A Natureza do Pensamento). Isso não é para negar a utilidade da ciência, mas para colocá-la em seu devido lugar — só pode obter resultados práticos, nunca verdades. Argumentos práticos não significam argumentos verdadeiros, e não devemos fazer ou deixar de fazer algo apenas por praticidade. Então, quanto da sua "verdade" vem da ciência?
A revelação bíblica do Deus cristão é a única forma de emergir o homem do absurdo lógico generalizado e justificar qualquer verdade em nosso pensamento (universal ou particular). Sem alguém soberano, onisciente e confiável o bastante para nos informar as verdades mais básicas que utilizamos em nossa visão de mundo, tudo seria completa loucura. É fato que você utiliza universais em seu cotidiano, e também é fato que você não é capaz de justificá-los minimamente. Assim, você não passa de um ladrão espiritual, utilizando princípios cristãos sem a devida justificativa — o Deus cristão. O que você tem a dizer em sua defesa?
Todas as ditas "leis naturais" são absolutamente injustificáveis sob sua perspectiva de vida, como a mortalidade humana, a gravidade, a uniformidade da natureza, conceitos de ética e assim por diante. Para você, tudo se resume a meros achismos. Por outro lado, a base do cristão para a verdade não é simplesmente o que achamos ser verdade (embora possamos utilizar nossos "achismos" para fins práticos), e sim o que o Deus criador dos céus e da terra nos concedeu inatamente e nos diz em sua Palavra. Nisso confiamos e por isso vivemos.
E aí? Qual a sua justificativa para o que crê? Suas sensações não confiáveis? O seu raciocínio indutivo falacioso? Consegue justificar para mim que todo homem é mortal sem cometer nenhuma falácia? Ou simplesmente que você é um homem? Não, né? Então, arrependa-se! Creia no Logos de Deus (Cristo) e na sua Palavra hoje mesmo, do contrário pode ser tarde demais. Hoje você só é um louco, amanhã você pode ser um louco condenado no inferno.
E se mesmo depois disso tudo você continua vendo racionalidade nos seus pensamentos, prove-me! Voltar para continuar...